terça-feira, 24 de novembro de 2009
Vizinhança factual
Dica torta da semana: Quem sobe a rua Ezequiel Ramos na altura do cemitério da Saudade pode tentar conferir as espécies e a placa. Se bem que só vi a hilária placa e alguns insetos indesejáveis até agora. As espécies humanóides estão mais na altura do teatro, quadras abaixo. São teatrais mesmo, dignos dum curta-metragem marginalis, a la boca do lixo. Confira com cuidado e/ou fuja.
Obs: Quanto as "outras coisas" desconheço e, confesso, estou um TANTO curiosa (pra pesquisas artísticas, que fique bem claro)!
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Cinco dedos alegóricos
Fardo solitário
Grita pela (con)vivência muda
Cinco dedos alegóricos,
Cinco flechas inflamadas
Rabiscam o tempo regressivo
Calçada e lama
Cinzeiro e drama
Fardo solitário
Sem memória solidária
Peixes imaginários
E laços de anzóis
Pululam em poça seca
Cinco dedos alegóricos
Fecham-se em punho
Socando o vento
A miséria comunicativa
Rasga palavras num murmúrio de prece
Um tiro ao céu
E eu não apreendi o gatilho.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Paisagismo sentimental
VOCÊ PODE SER O MEU DEUS DE CORDAS,
UMA SUBSTÂNCIA TRANSFORMADORA
IGNORO, LOGO CONFUNDO O LUGAR
SOB SURRAS DE ENCONTRO, NÃO HÁ MAIS DÚVIDA,
NOS RESTA TUDO.
NOS RESTA TUDO.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
"Ode do catarro ralo à letargia do verbo vital agir"
Olho torto, azia prazerosa, como-cavo pelas bordas. Esterco pós-alucinógeno. Labirinto da conversão. Não entre = saída. No ay escola, no ay moldura, contra (a) cultura. Cacofonia doentia, corredores isolados. Solidão sádica, por vezes sábia e quem sabe é lábia euforia. Avante, passos largos em sapatos tímidos - bolor, bituca e alergia. Cheiro podre de bom. Dê ré, agora atropele. Putos! Truco! Zunido e a faca de sombras dançando sem som. Eu cubro, tu despes, ele espia. Pornografia política do sempre agora lá fora. Papo de boteco, boneca. Uma semi verborragia jorra parestesia. Vibrador anti ideologia soma demagogia. Quantos ia(m)!? Nihiill is so fuckiing retard(ead ) no teu cú. Estes vários nada cheios. Porra seca. Hedonismo imaginário grande e brocha. Um peido para quem apagar mais velinhas nesta vila e continuar são em vão. Misto quente é uma fria, se anule ou emule os esquinões. Refogue o jejum e vomite tua fome.
Atividade 1 > Quem é aquele(a) dentro do co(r)po bio-chique-eletro-autosustentável-doping? Hum, parece que acabaram de beber ele(a) inteiro(a). E de graça. Arrôto.
Após espamos da leitura dum maldito livrinho dum certo Petter Baiestorf e anos de beatnismo misturado a média costura de idéias num final de tarde dum jardimzinho ordinário kultural nesta mais ordinária cidade bunker buraco zero limites de coletivos atuantes, errantes, berrantes, enfim, existentes. Outro dia conto. Não encontrei ninguém pra entrevistar. Aff.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Mestre tibetano
"Love is a fire
It burns everyone
It desfigures everyone
It is the world´s excuse
for being ugly"
Poema do livro "The energy of slaves- poems by Leonard Cohen"*(1972), que tive a sorte de encontrar numa feira de livros seminovos há alguns anos.
*Cohen é poeta e músico canadense, único, de estilo simples e intenso transborda vida pelas linhas e sons de sua extensa e adorável obra, nos remetendo a acontecimentos/relacionamentos frágeis, mágicos e por vezes estúpidos a que estamos sujeitos, irradiando uma leveza peculiar que só ele tem ao encarar a vida, amor, morte e tudo o mais.
Depois de excessos de vida boêmia, hoje este louvável senhor de 75 anos! encara uma rotina de meditação, sombra e água fresca( e atualmente está em turnê na Europa!). Conheça tudo o que puder deste homem, vale a pena reler, rever, reouvir, até gastar bem as folhas do livro ou trocar diversas vezes a agulha do play ( no meu caso pois tenho 3 LPs que não vendo, não troco e não empresto por nada).
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
MIKURA
foto-arte by Anke Merzbach*
Hoje estive relaxada, o efeito ainda ressoa sobre meu corpo pesado e em minha mente amarga. Há tempos não sentia nada parecido assim. Primeiro o meu corpo, especialmente as pernas, ou melhor, minha coxa direita, formigava delicadamente. Com o tempo o formigamento se intensificou, não sentia minha perna direita como parte do meu corpo. Logo em seguida essa sensação se espalhou pelas minhas costas, percorrendo o meu tronco, nuca, braços, palma da mão, boca, olhos e orelhas. Meu joelho parecia estar derretendo e não sei como minha pele não acompanhava essa mutação/transformação. Ah, nessa altura eu estava babando e nem percebia. Meus olhos estavam preguiçosamente fechados e meus pensamentos transformados em sonhos.
Tudo parecia tão normal pra mim que tive um acesso de riso incontrolável , digo, mentalmente. Se bem que me lembro da minha boca entreaberta, risonha e patética. Meus sonhos/pensamentos divagavam, tudo parecia tão real que consegui me ver pequenina e estranha através e atrás de mim. Meu corpo estava esticado de bruços e meu peso oscilava entre 20 a 80 kilos. Era tão leve e pesado ao mesmo tempo! Fiz um esforço enorme pra acordar, e eu já estava acordada, mas meu corpo não obedecia. De repente sinto beliscões e choques em minhas costas, e vários pontos do meu corpo despertam numa sincronia incrível. Suavemente me levanto e tento me encontrar mentalmente. Estou me sentindo tão confortável que meus pensamentos nem me fazem falta. Mas preciso formular palavras para conversar com o Doutor. Ele já me esperava na sala em que eu estava, mas eu não o havia percebido. Sorrio revigorada e atrapalhada, as palavras saem moles e arrastadas da minha boca. Ele me explica que a sessão surtiu efeito e que eu estava bem. Sinto-me inexplicavelmente lúcida.
Obrigada doutor, obrigada pelas agulhas e sementes experimentadas em meu corpo. Ah, os chineses sabem e muito explorar as sensações múltiplas de um corpo tímido e desajeitado, influenciando a psique ao relaxamento. Que droga boa... E não é tóxica. É acupuntura. E o doutor não era chinês.
* Anke Merzback é fotógrafa alemã, que através do photoshop recria magníficas imagens surrealistas, conheça seu universo.
domingo, 11 de outubro de 2009
FÁBIO LEOPOLDINO – homenagem tardia II
Hoje faz 5 meses que Fábio se foi. Ele foi um grande desconhecido, de uma das bandas mais originais dos anos 90 deste país carnavalesco, a Second Come. Soube da sua morte através duma notinha da FOLHA, na sessão do Cotidiano, fiquei passada, me tocou mesmo, liguei pro meu namorado contando isso na hora, pensando: Caracas, o cara foi um dos maiores do “rock alternativo” e puff! é lembrado nesta simples notinha nesta sessãozinha do jornal...putz. Que cultura mais desleixada essa nossa, não há o costume e nem a intenção em reconhecer verdadeiros artistas-músicos-poetas etc etc etc... E assim muitos são noucateados vivos. Mas Fábio também optou pela reclusão, morava com sua mãe em Valença(RJ) e morreu em seus braços. Solitário e único, assim como o som de sua banda. Ele estava com 46 anos e teve infarto fulminante.
Além da Second Come, ele participou das bandas indies Eterno Grito, Stellar e Polystyrene. A quem interessar, procurem pelo primeiro cd da banda, “You”(o que mais marcou minha estendida adolescência), que tem a capa desenhada por ele -além de músico também era desenhista. Neste debut álbum há uma versão maravilhosa da música “Justify my love” (Madonna/Kravitz), além de outros hits inesquecíveis. Impossível sair ileso desta audição. Vida longa aos sons leopoldinos!
DOWNLOAD NO ROCK FOR MASSES
Este clipe, de Perfidiousness, condensa a poética sonora distorcida do Second Come:
Além da Second Come, ele participou das bandas indies Eterno Grito, Stellar e Polystyrene. A quem interessar, procurem pelo primeiro cd da banda, “You”(o que mais marcou minha estendida adolescência), que tem a capa desenhada por ele -além de músico também era desenhista. Neste debut álbum há uma versão maravilhosa da música “Justify my love” (Madonna/Kravitz), além de outros hits inesquecíveis. Impossível sair ileso desta audição. Vida longa aos sons leopoldinos!
DOWNLOAD NO ROCK FOR MASSES
Este clipe, de Perfidiousness, condensa a poética sonora distorcida do Second Come:
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