domingo, 5 de janeiro de 2014

Sobre a mesa



A mesa era escura
Como meus sonhos mais sombrios
Eu não conseguia mantê-la limpa
A mesa, fria, abraçava as lembranças inseguras
Tolhia, doía e invadia ingrata

Fixa, imóvel e gigante pelo tempo
O tempo, o maltrato domesticado,
A raiz de mármore sujo mastiga
O tronco enraizado de ladrilhos quebradiços

Redonda e familiar,
Grita o sufoco a distância
Pequenos buracos cravados em sua superfície
Pratos, talheres e dentes rangentes

O não-diálogo interno,
O declínio em perspectiva
Emudecem as cadeiras indigestas
Resta um ao pé da mesa a sobreviver
A resistir a si mesmo.


quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Plumamor

A passarinha-rainha está ausente
Brinda os laços ensinados e desamarrados
No riacho de ninho
Aqui, teus objetos todos obsoletos
Cheios de propósitos,
Firmes e íntegros como a tua carne
Pele – pluma – flutua - morena
Mas volta logo pra tua ansiosa e vagarosa alegria
Torpor de amor de 122 dias,
Comemoro teu pouso e morada em minha (p)alma
Bebe tudo o que possuo
E me ensina a cada alvorada que o pôr-do-sol e o vento são as únicas vestimentas
Alenta, como um cancioneiro incansável e ritmado
Espalha o canto dócil nos calos de minha mão
Que desliza na plumagem infinita de teu voo.



quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Pare!


Primavera 365

      Texto-poema por Amandla Rocha e Aline Maffi  

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Sovar o contentamento

Deixe-me organizar sobre o teu corpo
Minha potência, crença
Com toda a tensão em se respirar
Baixinho, baixinho, expiro, inspiro, suspiro
Sovo o contentamento
Nas linhas inexatas de minha palma da mão.


O desespero amoroso, áspero, em transe
Ocultos questionamentos, baratos, ingratos
O saber sobre o mistério não me agrada
Arrasa as penas em pleno vôo

A todo momento juramos nossos eus
Em contradição e distração ao firmamento.



domingo, 1 de dezembro de 2013

Crochê


Você me acalenta
É como recompensa da vida toda
Gozo como as estrelas fazem ao nascer
O coração em descompasso
Tateio o suor
O hino respiratório desfalece
Em prece, teço o futuro como as agulhas de um crochê.