sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

barquinho

                                    

                                                  Vontade de virar barquinho neste exato momento, 
                                                                             só pra poder ficar com a água 
                                                                                    num contato permanente 

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Súbito 2014



Todos os espelhos dizem adeus
No calendário súbito
A velha cara mira a carabina
Sou a mesma desfalecendo a outra em mesa
Mãe, pai, sangue e tinta
Aparecem no desaparecer da despedida do hotel de 20 anos
Ontem a glória nunca exata exala o vínculo em cinzas
Tome uma ou duas doses, brigue duas ou três vezes
Com a condição de não assumir a recompensa em se despir
Meus 30 e poucos goles de a-deus
Minhas manias e escadarias em escárnio e honra
Tudo o que não sabia-confundia- iludia
Livros e receitas sujas, embebidas na nostalgia da repulsa
A mesma cara desvia a carabina
Em liturgias de decepção,

Travestindo injúrias de sangue e sabão.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Sobre a mesa



A mesa era escura
Como meus sonhos mais sombrios
Eu não conseguia mantê-la limpa
A mesa, fria, abraçava as lembranças inseguras
Tolhia, doía e invadia ingrata

Fixa, imóvel e gigante pelo tempo
O tempo, o maltrato domesticado,
A raiz de mármore sujo mastiga
O tronco enraizado de ladrilhos quebradiços

Redonda e familiar,
Grita o sufoco a distância
Pequenos buracos cravados em sua superfície
Pratos, talheres e dentes rangentes

O não-diálogo interno,
O declínio em perspectiva
Emudecem as cadeiras indigestas
Resta um ao pé da mesa a sobreviver
A resistir a si mesmo.


quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Plumamor

A passarinha-rainha está ausente
Brinda os laços ensinados e desamarrados
No riacho de ninho
Aqui, teus objetos todos obsoletos
Cheios de propósitos,
Firmes e íntegros como a tua carne
Pele – pluma – flutua - morena
Mas volta logo pra tua ansiosa e vagarosa alegria
Torpor de amor de 122 dias,
Comemoro teu pouso e morada em minha (p)alma
Bebe tudo o que possuo
E me ensina a cada alvorada que o pôr-do-sol e o vento são as únicas vestimentas
Alenta, como um cancioneiro incansável e ritmado
Espalha o canto dócil nos calos de minha mão
Que desliza na plumagem infinita de teu voo.



quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Pare!


Primavera 365

      Texto-poema por Amandla Rocha e Aline Maffi