sexta-feira, 17 de abril de 2015

Lua de poste







Esses dias, estava voltando de uma viagem de bus e acompanhava a lua pela janela. Ela cismava em ser poste. E quase conseguiu ;)


sexta-feira, 13 de março de 2015

ArvoreSer



"ArvoreSer". Poesia-pílula-da-fotossíntese: 
"Eu começo onde tu começas e termino onde tu infinitas"














terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Poeira de touro



Touros também são abatidos
Os selvagens da não-poesia
São corações lentos
Repletos de afetuosidade medrosa
Os sons pesados da poeira estelar
Brilham e faíscam até cansar
Na supernova animalesca

Fotos: Aline Maffi/ Sobreposição: Amanda Rocha

domingo, 15 de fevereiro de 2015

My brother the chicken


Parafraseando um disco crássico do Mudhoney, "My brother the cow", eis o "My brother the chicken".
Série de retratos de familiares em andamento onde mesclo a persona de cada um com algum animal. No caso, meu irmão Caliel tem uma galinha de estimação, a "Malizena". 

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Retratos familiares



Série de retratos de familiares em andamento onde mesclo a personalidade de cada um com alguma imagem de animal (desenho, objeto, ou o bicho em questão). Neste caso, minha avó, Vilma e uma galinha de angola que decora a sua cozinha há anos.





Neste, minha companheira Aline funde-se a um grafite animal-humano do artista L7M.  

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Costume

Foto por Amanda Rocha extraída do foto livro:
A imagem no museu do sonho - Uma visão imaginária
de Sandman (2014, Editora Canal 6)
A dona senhora banhava o porco morto em fatias afiadas de adeus descrente
Seus olhos dormentes se confundiam com o sono branco da carne da ceia

A pele do adeus animal
O gesto discreto de não quero mais
O suportar, o lacrimejar
A água translúcida nos olhos cegos da morte escorriam celebrações e cortes imperfeitos

Do que é feito um costume?
Quantas doses de carinho automático te fazem lembrar ou celebrar um ato?
Quem tirou a fotografia sabia do peso exato de uma cabeça suína dentro de uma pia?
Quem disse que os porcos querem se deixar devorar?
Quem nos ensinou a (nos) esquartejar?
Do que é feito um costume quando não mais celebramos o que mantemos?

domingo, 25 de janeiro de 2015

O Universo em teus cachos







A pintura preta e branca dos teus cachos no entardecer de Londrina

Cada fio teu tecendo o universo lentamente na despedida do dia

Diversos tons de verdes colorem minha respiração

Inspirar a si e ao amor em estado bruto as vezes vem acompanhado de
Intensas arfadas de resplendor


Da série: Amorde2as

1,2,3,0 ou o Outro no lúdico ausente



Quando era pequena sofria pequenas ausências de mim,
Era como se meu ser fosse todo lá atrás do meu corpo e ficasse escondido assim
Em algum lugar das costas ou do rim
Eu entrava em branco e brincava de me encontrar na ausência do pensar/ser/estar
Onde estou?  Por que não sou?
Hoje nem tento isso, embora ainda me procure sim
Se isso voltar a me acometer, talvez algum estrondoso remédio viesse me preencher
Porque quando se é criança não se pensa em loucuras
E sim em eternas aventuras.


domingo, 13 de julho de 2014

Amor orgânico



Orgânica
Pluma
Messiânica
 Névoa
Raiz
Orvalhada
Na pele
Botânica
Nave
Tato
Tudo
Fundo
Úmido
Solto
Riso
No mundo
Amor 
Pulmonar
Flutuar
Entoar
Cantar
O revoar
Sem fim
De ti.







terça-feira, 17 de junho de 2014

HHH





"Hand in her hair, hand in her hand, hand in her hair
I stopped feeling bad
I stopped feeling mad"

( provável capinha do novo single da La Burca)
Homenagem dupla, Hilda Hilst e à ela.



domingo, 6 de abril de 2014

Então, garota.








Ela é apenas uma garota
Que ruge como mulher sensata
Ela é apenas uma garota
Que ama como pessoa insana
Ela é apenas uma garota
Que brinca no lascivo fio & lâmina
Ela é apenas uma garota
Que jorra no coração em tantras
Ela é apenas uma garota
Que finca sua presa & drama
Ela é apenas uma garota
Que escreve, rasga & clama
Ela é apenas uma garota
Em chamas, piripaque & cama
Ela é apenas uma garota
Que eu peço, rezo e amo.


sexta-feira, 7 de março de 2014

Buraco e borda

Às vezes me dá uma vergonha de viver, uma vergonha da vida. Não da minha vida. Sim, as vezes da minha também. Uma preguiça e uma covardia em se respirar.  Um suspiro demorado que teima no pensar avergonhado.  Às vezes a vida me dá vexame. Me dá injúria e fúria. Mas isso é o pouco que conheço, ou parte do que conheço no batimento cardíaco diário. Refratário. 

Vejo os desenhos das vidas. As formas e cores que podem ou não vir acompanhadas de ventos mornos, frios, tímidos ou como tempestades tropicais. Há o preto e branco também, somado a algum resultado cinza meio desbotado, e que, por mais que se passe a borracha será sempre acinzentado.  Porque uma coisa é e outra coisa nunca será. Então por que teimar e queimar os papéis e rascunhos na umidade? Talvez e necessário encontrar unidade.

Claridade? Ver as claras. Bater as claras em neves. É bem demorado o processo – digo, o processo culinário – mas que se dialoga no hmm, bater de asas? No fofo, no floco em neves, leve. “Passarinho fez um ninho em meio aos espinhos”, dizia a minha canção de estrofes recém-aportuguesada. Mas há a rima e o refrão, por mais trouxa e frouxa que pareça. Ou que se faz parecer ou estar (diga-se de passagem, e as vezes de estadia um pouco demorada). Começar, cantarolar a si mesma. Ver fotos antigos e dar risada. Porque uma coisa é se lamentar e a outra é se festejar.  

Mas há os abismos cheios de ismos com suas beiradas férteis e tal como beirada, um pedaço e um espaço. Uma semente. Um respiro. Uma vergonha. Um alívio. Um equilíbrio. Um chão fino e rente. Uma parede. Um escoramento. Uma selvageria. Um desmoronamento. Uma duna. Um grão. Um piscar. Um apagão. Nascimento e morte. Gozo e sorte. Sempre escolhas e oportunidades lancinantes, somos contextos humanos e acreditamos ser – porque aqui na humanidade inerente não há escolha em não ser.  Tem tudo aquilo que nos é percebido pelos livros, consciência coletiva, brigas e apertos de mão. Como um script sem script algum, atemporal, mas que vai acontecer conforme o script, meu grande irmão. Células e idades e coração não programados para enfrentar o que já foi diagnosticado na formação anterior ao se pensar “eu”. Porque o que há de ser é o que já ouvimos falar, pensamos saber, precisamos perder, queremos conhecer. E nunca vamos saber. Porque e para quê descobrir o mistério e tudo então ficar infértil?

Imagine um mundo sem mestres, sem médicos, sem psiquiatras, sem escolas, sem esmolas, sem dinheiro, sem fome, sem arte, sem marte, sem fábulas? É, temos que nos foder um pouquinho. O porquê eu não sei.  Ah sim, lembrei, porque necessitamos fantasiar a vida, oras. E inventamos o contexto humanidade para não enlouquecermos. Será que não seria melhor desmistificar tudo duma vez e virarmos macacos artistas ingratos?

Somos números oníricos constantes.  Que se explodem com a possibilidade territorial. As vezes me dá um pouco de buraco e borda sim, pensar a vida assim.


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

barquinho

                                    

                                                  Vontade de virar barquinho neste exato momento, 
                                                                             só pra poder ficar com a água 
                                                                                    num contato permanente 

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Súbito 2014



Todos os espelhos dizem adeus
No calendário súbito
A velha cara mira a carabina
Sou a mesma desfalecendo a outra em mesa
Mãe, pai, sangue e tinta
Aparecem no desaparecer da despedida do hotel de 20 anos
Ontem a glória nunca exata exala o vínculo em cinzas
Tome uma ou duas doses, brigue duas ou três vezes
Com a condição de não assumir a recompensa em se despir
Meus 30 e poucos goles de a-deus
Minhas manias e escadarias em escárnio e honra
Tudo o que não sabia-confundia- iludia
Livros e receitas sujas, embebidas na nostalgia da repulsa
A mesma cara desvia a carabina
Em liturgias de decepção,

Travestindo injúrias de sangue e sabão.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Sobre a mesa



A mesa era escura
Como meus sonhos mais sombrios
Eu não conseguia mantê-la limpa
A mesa, fria, abraçava as lembranças inseguras
Tolhia, doía e invadia ingrata

Fixa, imóvel e gigante pelo tempo
O tempo, o maltrato domesticado,
A raiz de mármore sujo mastiga
O tronco enraizado de ladrilhos quebradiços

Redonda e familiar,
Grita o sufoco a distância
Pequenos buracos cravados em sua superfície
Pratos, talheres e dentes rangentes

O não-diálogo interno,
O declínio em perspectiva
Emudecem as cadeiras indigestas
Resta um ao pé da mesa a sobreviver
A resistir a si mesmo.


quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Plumamor

A passarinha-rainha está ausente
Brinda os laços ensinados e desamarrados
No riacho de ninho
Aqui, teus objetos todos obsoletos
Cheios de propósitos,
Firmes e íntegros como a tua carne
Pele – pluma – flutua - morena
Mas volta logo pra tua ansiosa e vagarosa alegria
Torpor de amor de 122 dias,
Comemoro teu pouso e morada em minha (p)alma
Bebe tudo o que possuo
E me ensina a cada alvorada que o pôr-do-sol e o vento são as únicas vestimentas
Alenta, como um cancioneiro incansável e ritmado
Espalha o canto dócil nos calos de minha mão
Que desliza na plumagem infinita de teu voo.



quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

terça-feira, 10 de dezembro de 2013