domingo, 1 de dezembro de 2013

sob(re) o saudável

Durável, deplorável, amável
Altas doses de instabilidade
A persona corrosiva
Inflama, derrama, aclama
Atônita na beleza, há movimento
Recomeço mais algumas aulas sobre o óbvio
Perversão rude em sopros obesos
Fixo meus lábios no macio (in)finito
Dói o antes: arrasta e limpa o agora
Palavras ecoam laçando a mudez
A canção-repetição do me deixe-ser
Ululante prazer, visto-me em você
A boca seca sabe o lugar.


segunda-feira, 25 de novembro de 2013

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Coração e pata

Todos nós temos um cavalo no coração
O relincho é sangue coagulado
Cedo-tarde se esgoela manchando as paredes do corpo
Cavado danado que espia e entope as artérias
Cavalgo no sonho trotante
Calço as patas de lama
Na estrada de esterco, chuva e acerto.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Antônia


  • Eu quero te derramar toda dentro de mim, Te beber inteira Sem pudor, rancor ou valor Eu quero te esfregar na beira, Suar a tua alma junto aos demônios Só ardor-odor-calor Eu quero te entrar imensa, rastejando ao teu altar Com sombra, com chuva, toda imunda Eu quero te enxugar, lambuzar, estourar, roubar e sonhar Vivo nos capins sem fim, na planície aveludada dos teus trigos Morna, ondas revoltas de ar dançam a canção de bruços Escapa e trata, maltrata Rota, ou outra memória O derrame de sentidos excluídos, Nula de razão, sou fração, queimação Vermelho uterino, mendigo o abismo Cheiro de fumaça, desgraça, pirraça Antônia, louca e fraca glória Amanheça descalça a ti mesma Teus calos calmos pedem passagem.




sábado, 15 de junho de 2013

flutuar, afundar, remar.




"Well a man has two reasons for things that he does

The first one is pride and the second one is love"

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Como enxergar coração em fiapo de cobertor e não despencar

pós-trip-me-good?
Ontem eu a vi
Toda anulada
Seus lindos olhos inchados cor-de-mel deslocados
Nos abraçamos tímidas e ocas
Seu corpo longuíquo
Ilhada, ingeriu tempestades
Exalava um torpor derrotado
Mas havia medalhas no cantinho de seus lábios avermelhados
Esboçava um sorriso meio torto e tenso, na verdade, quase imperceptível, como um tique charmoso
Eu estava devorando cada erro de sua fisionomia, confesso
Era irrefreável, instintivo e urgente
Gostaria de salvá-la, embora fosse o meu abismo
O que poderia fazer? Sugestões e tolas opiniões?
Era melhor assisti-la passiva, incrédula
Aquela presença neutra contrastava com a soma dos lamentos
Oh mulher se aprume, rume
Eu rujo e fujo, sei
Talvez a sensatez me vista dessa vez
Ou visite, ao menos
Essa despedida de lágrimas ruidosas e nervosas desfoca, sufoca
Transbordamento ou espancamento?
Não bebo mais de seus trópicos
Vaidade, dependência
Fraude e falência
Um urro a anulação
Eu atualizo meus nãos
Então ela vira as costas
Sem jamais partir.