sábado, 15 de junho de 2013

flutuar, afundar, remar.




"Well a man has two reasons for things that he does

The first one is pride and the second one is love"

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Como enxergar coração em fiapo de cobertor e não despencar

pós-trip-me-good?
Ontem eu a vi
Toda anulada
Seus lindos olhos inchados cor-de-mel deslocados
Nos abraçamos tímidas e ocas
Seu corpo longuíquo
Ilhada, ingeriu tempestades
Exalava um torpor derrotado
Mas havia medalhas no cantinho de seus lábios avermelhados
Esboçava um sorriso meio torto e tenso, na verdade, quase imperceptível, como um tique charmoso
Eu estava devorando cada erro de sua fisionomia, confesso
Era irrefreável, instintivo e urgente
Gostaria de salvá-la, embora fosse o meu abismo
O que poderia fazer? Sugestões e tolas opiniões?
Era melhor assisti-la passiva, incrédula
Aquela presença neutra contrastava com a soma dos lamentos
Oh mulher se aprume, rume
Eu rujo e fujo, sei
Talvez a sensatez me vista dessa vez
Ou visite, ao menos
Essa despedida de lágrimas ruidosas e nervosas desfoca, sufoca
Transbordamento ou espancamento?
Não bebo mais de seus trópicos
Vaidade, dependência
Fraude e falência
Um urro a anulação
Eu atualizo meus nãos
Então ela vira as costas
Sem jamais partir.



quinta-feira, 30 de maio de 2013

C.O.V.A

Elisas - Alemanha - Brasil.

Saudade é uma cova viva
Eu ainda estou morna
Minha pele ressecada é de lembrança
O afeto monstruoso
Arroto inúmeras vezes o teu tamanho
Eu retorno com meu coração assombrado e pelado
Nunca preparado
Sim, sabemos, a saudade é uma cova viva
Vã regressão sentimental
Afiada e desconfiada
Rasa, chata, rata, rapta
Tarda, fada, faca e nada

Saudades.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Tim Burton´s tree





Há uma rua onde uma árvore morre a cada dia. E sua sombra é um descompasso belo em decadência...

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Zelo-zero

La Burca em dia de contaminação. Foto por : Dagma Miscelânea
Eu zerei. Nada entrou. Nada saiu. Zero. Vácuo. Só o barulho agudo do meu nervosismo e o sangue grave correndo em minhas veias. Acabei. Vácuo. Zunido (in)finito. Não rezei, apenas reclamei. Internamente, perversamente. Malvada e ingrata. Nada. Seca. Morta. Um recado inútil, nunca passado. Zerada, cheia de números que não somam. A arcada dentária derrapa em minha boca, mordo o verde e engulo a carne pesada. Gases, cólicas, gritos sufocados em vergonha. Se quebro, continua quebrado. O barulho da janela. Anos e anos e a janela continua gritando, berrando, arrastando o barulho de ser janela.
E não há óleo que a cale. Não existe o óleo. Sem conserto assume o erro. Cabe no erro, confortável erro. A sombra hereditária castiga, mastiga. Queima, arde amarga. O catarro não sai, gramas de quilos salgados escorregam guela abaixo. Gosto ruim, entorpece-me o sangue frio. Bem embaixo, lá embaixo, deito-me. Estou gelada, apaixonada pelo delírio. O desprezo engorda o desgosto, já não mais desgosto, e sim, gosto. Eu zerei. Nada entrou, nada saiu.


Texto provavelmente escrito em 2007, encontrado em um zine semi-esquecido da autora. 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Sem zzzz


E então eu vi a mosca 

A mosca se debatia no chão da cozinha,
Andava em círculos, lerda e muda
Insisti por uns instantes para que se equilibrasse e voasse dali,
Algo natural
Mas...desisti dela
Ela que escolhesse o próprio caminho
Fui ao banheiro
E então olho para a parede: a mosca grudada lá!
Ela voou rasante e cambaleante, querendo me dizer algo, mas novamente nenhum zzz
Pedi pra ela ir embora, abri a janela e afastei  a cortina do box
Mas não, permanecia próxima
Me causou repugnância, toda grudada agora no solo
Peguei um pedaço de papel e com um dedo escutei o barulho crocante de sua morte
Pronto, fui dormir exausta com um zumbido mudo no ouvido.


Fiapo






Não é momento de nada
Tire teus pedacinhos de mim
Limpo os pedacinhos sem fim
Não é momento para nada
Escôo tuas vozes de amor
Autoridade de amor aos pedaços
Agora não é momento para nada
Eu não te agradeço, eu não te conheço
Eu me pertenço
Cesse-me, não há momento para nada
Por que o amor ama impor o amor?