quinta-feira, 10 de outubro de 2013
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Coração e pata
Todos nós temos um cavalo no coração
O relincho é sangue coagulado
Cedo-tarde se esgoela manchando as paredes do corpo
Cavado danado que espia e entope as artérias
Cavalgo no sonho trotante
Calço as patas de lama
Na estrada de esterco, chuva e acerto.
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
Antônia
Eu quero te derramar toda dentro de mim,
Te beber inteira
Sem pudor, rancor ou valor
Eu quero te esfregar na beira,
Suar a tua alma junto aos demônios
Só ardor-odor-calor
Eu quero te entrar imensa, rastejando ao teu altar
Com sombra, com chuva, toda imunda
Eu quero te enxugar, lambuzar, estourar, roubar e sonhar
Vivo nos capins sem fim, na planície aveludada dos teus trigos
Morna, ondas revoltas de ar dançam a canção de bruços
Escapa e trata, maltrata
Rota, ou outra memória
O derrame de sentidos excluídos,
Nula de razão, sou fração, queimação
Vermelho uterino, mendigo o abismo
Cheiro de fumaça, desgraça, pirraça
Antônia, louca e fraca glória
Amanheça descalça a ti mesma
Teus calos calmos pedem passagem.
sábado, 15 de junho de 2013
flutuar, afundar, remar.
"Well a man has two reasons for things that he does
The first one is pride and the second one is love"
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Como enxergar coração em fiapo de cobertor e não despencar
Toda anulada
Seus lindos
olhos inchados cor-de-mel deslocados
Nos abraçamos
tímidas e ocas
Seu corpo
longuíquo
Ilhada,
ingeriu tempestades
Exalava um torpor
derrotado
Mas havia
medalhas no cantinho de seus lábios avermelhados
Esboçava um sorriso meio torto e tenso, na verdade, quase imperceptível, como um tique
charmoso
Eu estava
devorando cada erro de sua fisionomia, confesso
Era irrefreável,
instintivo e urgente
Gostaria de
salvá-la, embora fosse o meu abismo
O que
poderia fazer? Sugestões e tolas opiniões?
Era melhor
assisti-la passiva, incrédula
Aquela presença
neutra contrastava com a soma dos lamentos
Oh mulher se
aprume, rume
Eu rujo e
fujo, sei
Talvez a
sensatez me vista dessa vez
Ou visite,
ao menos
Essa despedida
de lágrimas ruidosas e nervosas desfoca, sufoca
Transbordamento
ou espancamento?
Não bebo
mais de seus trópicos
Vaidade,
dependência
Fraude e
falência
Um urro a
anulação
Eu atualizo
meus nãos
Então ela
vira as costas
Sem jamais partir.
quinta-feira, 30 de maio de 2013
C.O.V.A
![]() |
| Elisas - Alemanha - Brasil. |
Saudade é uma cova viva
Eu ainda estou morna
Minha pele ressecada é
de lembrança
O afeto monstruoso
Arroto inúmeras vezes o
teu tamanho
Eu retorno com meu
coração assombrado e pelado
Nunca preparado
Sim, sabemos, a saudade
é uma cova viva
Vã regressão sentimental
Afiada e desconfiada
Rasa, chata, rata, rapta
Tarda, fada, faca e nada
Saudades.
sexta-feira, 24 de maio de 2013
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